Ser
mãe. Ser mãe é um sentimento que sempre me passou pelo o meu ser.
Eu, a mais velha de seis irmãos, admirava a minha mãe cuidando com
muito amor e alegria de nós. Imaginava quando chegaria a minha vez.
Quando transei a primeira vez, me veio logo o pensamento, mas claro
estava muito nova. Aos 18 anos, mais ou menos, aquilo que chamamos de
instinto materno veio à tona, eu transpirava a natureza-mãe, porém
eu e meu companheiro ainda não estávamos preparados. Aos 24, quando
nem passava pela minha cabeça tal realização, mas claro que o
desejo ainda muito aflorado dentro de mim, minha menstruação não
veio. Passava o tempo e nada. Não estava pensando que estava
grávida, meu coração se enganou tanto há uns anos atrás, que
desta vez eu não queria ver aquilo que estava na minha frente! Eu
sentia umas cólicas rápidas e espaçadas. Minha cabeça começou a
inventar um monte de minhocas, inclusive que eu era estéria. Vê se
pode! Era verão, e estava com a minha família na Ilha Grande, sem
desconfiar da gravidez, inventei de superar os meus limites, corria
em trilhas, até caí num buraco, nadava de uma praia a outra, jogava
vôlei e futebol... Enfim! Fiz tudo o que uma grávida “não
poderia” fazer.
Quando
chegamos ao Rio, resolvi ir a um hospital, averiguar minhas cólicas
e a ausência da menstruação. E, o resultado foi: parabéns! Você
está grávida! Me disse a médica com um sorriso enorme. Me lembro
até hoje. Eu estava sentada e por um milésimo de segundo me
passaram milhares de pensamentos e sensações. Na volta para casa,
passei em frente à uma igreja e pedi a benção para o meu filhote e
para me ajudar a ser mãe.
O
tempo foi passando e a barriguinha foi crescendo rápido! Logo, logo
começaram a me dá lugar no ônibus. No início foi estranho me
acostumar, mas depois a gente só pensa nisso. Realizei então quatro
chás de bebês, nada exagerada como eu sou, mas depois do primeiro,
me parecia uma compulsão promover tais chás. Era muito legal,
porque as pessoas se sensibilizam muito pelo o seu momento. E, em
somente um deles, eu separei só para mulheres, exatamente para a
gente conversar sobre tudo aquilo que envolve uma gravidez. Desde as
questões sociais, de saúde, sentimentais, práticas, de
relacionamentos e tudo o que surgir. Sentia a partir de então uma
necessidade muito grande de troca. Apesar de nenhuma das minhas
amigas almejarem engravidar logo, foi um encontro muito fluido e
frutífero.
Depois
Sol nasceu, começou uma explosão de aprendizados, aqueles anos
todos observando a minha mãe me pareciam inúteis perto de um monte
de novidades que cada dia me apresentavam. E, assim, todas as minhas
conversas com as pessoas me levavam a falar dessas experiências,
tanto com homens e mulheres que ainda não tinham filhos ou estavam
se preparando para isso. É sempre uma verdadeira troca porque as
pessoas também me apresentavam dúvidas ou informações de
procedimentos para algumas situações.
Eu
estava vivendo essas trocas tão intensamente que as pessoas já me
chamavam a atenção da possibilidade de escrever um livro, comecei a
escrever e vendo que eu não teria tempo, nem investimento tão cedo.
Numa noite dessas que a gente vira com a criança com febre, vi que o
sentimento de compartilhar era muito ansioso para esperar a
publicação de um livro. Eu não imaginava tal feitura, as palavras
começaram a surgir na minha mente e logo minhas mãos começaram a
dar conta daquilo que se passava e parecia uma catarse. Todas aquelas
experiências tomavam formas e eu arranjava tempo para escrever.
Apesar
de disponível no mercado de livros verdadeiras bíblias de “como
se cuidar de um bebê”, percebia para mim e para o Sol a
ineficiência destes livros porque os autores partiam do princípio
de que toda criança é igual. Não quero aqui difamar tais livros,
até porque estes me serviram muito também. Eu acredito que sempre,
em tudo na vida, o mundo nos apresentará aspectos positivos e
negativos de uma só fonte. Porém, também acredito que não podemos
partir do princípio que nossos filhos podem se encaixar a manuais.
Cada bebê, cada pessoa, tem o seu jeitinho próprio de ser, de
sentir o mundo, de se expressar e sempre, durante a história, o ser
humano tentou padronizar tudo isso. Mas, sabemos ser impossível.
Eu,
inclusive, só percebi tudo isso enquanto cuidava do Sol. Aliás,
quase enlouqueci com os “manuais”! Imaginava que tinha alguma
coisa errada. Eu tentava de qualquer maneira estabelecer horários
para ele, pois durante toda a minha vida sempre ouvi falar que toda
criança gosta de rotina. E rotina e ele não se encaixavam muito
bem. Na verdade, o que percebi foi que ele não se dava com a rotina
que nós conhecemos: a de horários. Mas, ele adorava quando eu
cantava a mesma música quando ele acordava, outra na hora do banho e
assim por diante. Gostava também de certos sorrisos, caretas e
carinhos que eu fazia e isso lhe deixava mais seguro e feliz. O
problema era que um dia às 11:30 da manhã ele estava dormindo feito
um anjo, no dia seguinte no mesmo horário estava acordado e vivo
para brincadeiras e no outro dia, também no mesmo horário, estava
faminto!
Para
você ter uma ideia da minha loucura metódica, eu anotava num
caderninho os horários rigidamente com o intuito de entender aquele
meu bebê! E isso não me deixava relaxar para viver com ele. Foi
quando eu larguei o caderninho e ao mesmo tempo larguei de mão todos
aqueles preceitos de como criar um bebê e resolvi conviver com ele e
com todos imprevistos do dia-dia. Assim, foi tudo mais divertido e
também educativo. Afinal, estávamos aprendendo, eu e ele, a
conviver com os nossos desejos e necessidades mutuamente.
Por
isso, hoje busco um equilíbrio bem difícil entre o que eu intuito
como mãe e o que as pessoas, familiares, amigos e médicos me dizem
como proceder. Outro exemplo foi o da brotoeja. Quando apareceu um
monte de brotoejas no corpinho todo de Sol, começaram as dicas e
conselhos. E as pessoas me garantiram que daria certo, porque deu
certo para seus filhos. Mais uma vez, eu deixei de me ouvir e entrei
naquela paranoia de “tem alguma coisa errada com o meu filho”
porque nada do que recomendavam dava certo. E quando resolvi escutar
aquela vozinha interna que me falava desde o início: “Hidratante!
Passa hidratante!” as brotoejas cessaram por completo em três
dias! Afinal quem conhece melhor os nossos filhos do que nós mesmas?
Mais
uma vez, antes que os médicos arranquem os seus cabelos ou os meus,
não estou afirmando que não devemos escutar os outros. Claro que
devemos! E sempre! Afinal, são outras perspectivas sobre você e
essencialmentepor isso já são muito sadias. Iremos escutar muitos
conselhos, dicas e críticas durante toda a vida. Mas, isto parece
ser mais influente e evidente quando estamos nos tornando mães pela
primeira vez e às vezes é muito complicado porque as pessoas se
mobilizam mais neste sentido de falar como deve atuar. E alguns bons
pediatras e bons livros escritos por doutores me guiaram por um
caminho que não deu certo com o meu filho. E afirmar isto não é
nenhum pecado. Somente o que estou afirmando aqui é que devemos
todos ter muita cautela e olhar para nossas crianças em sua
diversidade, ao invés de unidade. Até porque não gostamos muito
quando nos sentimos generalizados: “Mulher no volante, perigo
constante!” “Todo homem é igual” e assim por diante.
Cada
criança foi concebida de maneira diferente, por pessoas diferentes,
em momentos diferentes, nasceram diferentes! Como comparar, por
exemplo, uma criança que nasceu de parto normal e outra que nasceu
com complicações e ficou semanas em um hospital?
Então,
por esses dois motivos: pela minha ânsia de troca e por não
acreditar que podemos cuidar de nossos bebês através de manuais,
que me compulsei a escrever esse blog. Nele, escrevo grande parte de
minha vida e de Sol, desde o pré-natal até os dias de hoje. Parto,
então, das dificuldades e vivências que passei e divido com você
tudo aquilo que venho estudando e trocando com as pessoas sobre este
período que é, para mim sem dúvida, um dos mais belos das nossas
vidas.
É
claro que partindo das minhas experiências, escrevo algumas dicas
que couberam a mim e a Sol como uma luva e outras que pesquisei.
Porém, vale ressaltar que a mãe do seu filho ou filha é você e a
ninguém cabe responsabilidade maior. Por isso, prezo muito a sua
auto-confiança nesse momento e em todos de sua vida. E quem ainda
não a tem em alguns aspectos será o momento de ter, não como algo
a ser alcançado, mas como algo que ocorre naturalmente no dia de
todo dia. Espero, então, poder contribuir muito para esse rico
momento. Acredito que através desse blog muitas mulheres e homens
que se preparam para serem ótimos pais, possam se precaver de
algumas dificuldades pelas quais eu passei e possam também dividir
comigo os momentos especiais que só a gente tem com os nossos
queridos filhos e queridas filhas!
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