Pré-Natal e Parto

Parto aqui do princípio que cuidar-se é o fim. O auto-cuidado neste momento, ao meu ver, é essencial. Na verdade, naturalmente, o seu Ser eleva-se e se inicia gradativamente um processo muito pessoal e bonito de auto-conhecimento e abertura para as novidades que afloram. Observei na maioria das grávidas que mais ou menos a partir do quinto mês é que o estado de gravidez começa a dar conta de todas atividades e pensamentos que passam em uma gestante. No meu caso, no sétimo mês eu só pensava em como deveria ser o parto, como seria o rostinho do bebê e como seria o nosso dia-dia. De início, no segundo mês ainda era tudo muito estranho.

Era como se eu estivesse entrando num mundo totalmente desconhecido. Sem contar as azias, sintoma que eu nunca tive, eram insuportáveis. As pessoas me diziam que viria um bebê cabeludo, pois é, não veio. Sol é tão careca quanto eu. Hoje me lembrando de tudo que se passou neste período, posso perceber que, na verdade, a azia parou quando me abri para aquele universo que me esperava. E aí o tempo passou rápido demais, quando eu vi estava arrumando a bolsa para maternidade. E que bolsa! Levei de tudo: duas banheiras, rádio, cds, incensos, luminária e assim por diante. Está rindo? Vai ver quando for a sua vez! A vontade que dá é de levar a casa. Por isso e por outras coisas é que muitas mulheres estão preferindo fazer o parto em casa. Mas, tocaremos nesse assunto mais adiante.

O importante é que se tenha em mente o cuidado. E que, se caso acompanhada, um cuidado mútuo. Afinal, os dois passarão por um processo muito delicado, ao mesmo tempo forte, de receber uma criança nos braços e o mundo será pequeno perto de tanto amor. Por isso, às vezes, deve dar um medo, uma insegurança... E eu me perguntava de que era o meu medo. Medo de amar? Medo de não dar conta de um bebê? Medo de perder a minha liberdade e independência? Medos... Medos... Senão tê-los como sabê-los? A vida toda a gente sente medo, mas se não nos sobrar uma gotinha de coragem, não conseguiríamos viver. E medo eu tenho até hoje, só que são outros... Medo de perder meu filhote, de acontecer alguma coisa com ele ou comigo... Saravá! Mas, fazer o quê?

Deixar de viver é que não dá, afinal, estamos aqui para isso. Então, assim como a coragem, o medo também existe e deixa ele lá no lugar dele. Porque ele também é importante, senão não seríamos nada cautelosos. E neste momento e nos que virão é bom ter equilíbrio. Aprender a lidar com os nossos medos significa que poderemos ensinar. E para aprender, também é preciso cuidar. Assim, você estará mais apta para perceber como e onde o medo está em você e outros sentimentos também. Pois é, ser mãe é também se revirar, é se olhar de outra maneira e se gostar. Por isso, comecemos pelo o toque...




Toque-toque tem alguém aí?
Tem! Euzinha!
Toque-toque meu coração!
Se você não se tocou até hoje, é hora de se tocar! Nesse período aproveite para conhecer o seu corpo e nada melhor do que fazer isso a dois. Por que não? O sexo com amor não prejudica a gestante e nem o bebê, muito pelo o contrário. O bebê também sentirá amor e uma mãe feliz é muito mais mãe! Essa, para mim, é uma regra geral.

Eu lembro de uma vez, que eu estava indo viajar com Sol, e pensava que eu estava subordinando-o a algo que eu queria fazer, sem sequer olhar para ele e ver que ainda era muito novo. Na época, ele estava com três meses. Mesmo, assim já estava na rodoviária com as malas prontas e decidi continuar. Resultado: ele ficou um bebê muito mais tranqüilo depois da viagem, isto porque, eu também estava. Estava cansada de ficar em casa e na poluição do Rio de Janeiro. E provavelmente ele também. Por isso, percebi que não existe um mundo perfeito pré-determinado na relação com nossos filhos, enquanto estiveres feliz, muito provavelmente este será o mundo perfeito para ele. É claro que com equilíbrio. Por isso, ame, transe, se experimente com esse novo corpo! È comprovado também que o bebê sente quando a mãe toca a barriga, já existe toda uma troca neste momento.

Às vezes, me pegava conversando com Sol na barriga e parecia que ouvia as suas respostas ou ele se mexia de acordo com que lhe falava. E nada melhor do que um óleo para propiciar essas massagens. O óleo também impede a formação de estrias e se está preocupada com isso, é bom mesmo não se coçar. Não sei se é regra, mas aconteceu com a minha amiga que no meio da gestação teve uma alergia e se coçou muito.

Resultado: a barriga ficou cheia de estrias. Eu também, não cocei a barriga, mas descontava toda a coceira nos seios que hoje estão também com estrias. Então, pelo sim, pelo não, é melhor não coçar!

Agora, os seios. Os seios, durante muito tempo, serão o mundo do seu filho e a conexão entre vocês. A amamentação é um momento muito importante e literalmente nutritivo. E, pelo menos oito vezes por dia será separado para dar de mama. Eu esperava ansiosa por esse momento. O que, aliás, seria bom que fosse loguinho após o parto, mas nem sempre é possível. Porém, o que eu não esperava era que os bicos dos seios fossem rachar, nunca tinha ouvido falar nisso. Pois é, e racharam a ponto de sair pedaço. Os dois! A dor que eu tinha quando ele mamava era parecida com uma agulha grossa adentrando os meus seios. Por isso, é bom ter bastante preparo: deixar bater bastante sol na auréola toda, tomando cuidado para proteger o resto do seio, no banho passar aquela bucha vegetal e fazer massagem formando o bico com o intuito de deixá-lo bem para fora, não usar sabonete, nem óleo e nem hidratante. E, assim que o bebê nascer usar uma coisa que muita gente ainda não conhece chamada de concha de amamentação.

Essa concha foi o que me salvou. Nada resolvia as minhas rachaduras e eu já estava desesperada. Essa concha é o que há. Pois, ela pressiona os seios e guarda o leite excedente que é uma delícia para tomar. Com isso, o seio esvazia e assim, quando o bebê abocanha o seio, ele colocará toda a auréola na boca e não somente o bico. Isso é muito importante.

Outro cuidado com o corpo: exercícios físicos. Escolhi nadar e fazer yoga. Ao entrar na piscina ou no mar eu sentia o meu corpo leve e a prática dos exercícios me levou a fazer um bom parto com certeza. É claro que cada uma deve escolher um exercício que se identifique. Porém a mistura de água, conciliada com a respiração e exercícios me parecia perfeita. Sentia-me em equilíbrio comigo e com o universo. Mesmo assim, caí duas vezes de escadas pequenas. O que quero demonstrar que a gente fica um pouco fora do eixo também. Afinal, de uma hora para outra, você tem que se adaptar a um novo corpo que pesa. Por isso, a importância de praticar algo. Trará-lhe mais consciência física e mental do seu corpo e aliviará o desequilíbrio. Diminuindo as dores lombares, o desvio na coluna e o peso excedente. Também é bom consultar o médico para evitar qualquer problema que possa gerar um exercício excedente.

A arrumação do ninho...
Realmente é algo muito gostoso preparar a sua casa para a chegada do bebê. Ao mesmo tempo que os móveis e a decoração surgiam, os sentimentos também se afloravam. Reparo que algumas mães se empolgam muito e rapidamente o quarto está hiper super decorado com um milhão de enfeites superlindos. Já, outras, não são tão entusiasmadas e deixam essa tarefa para tias, amigas ou avós. Bom, o meu processo foi bem criativo: pintei a parede junto com uma amiga com umas ilustrações de natureza e colorido, reformei uma cômoda com um desenho de palhaço e alguns móbiles no ar. Retirei também um móvel escuro do quarto e troquei por outro que também reformei.

Uma dica boa são os apliques que você pode fazer nos móveis. Não custa muito caro e fica um trabalho bem acabado e bonito. È bem rápido de fazer perto do resultado final. Se se empolgar com a idéia, tome cuidado com o ar para não formar bolhas e rapidamente você pega a prática. Outra técnica boa é colando devagar, esfregando para colar com um pano para não arranhar e prestar atenção para o papel não desviar daquilo que você cobre. Olha, eu fiz sozinha, mas recomendo que isso seja feito à dois. Outra recomendação se refere às pinturas. Eu usei uma tinta à base d`água, mas, mesmo assim, alguns médicos não recomendam. Outro cuidado é usar uma máscara que você encontra em qualquer farmácia. Aliado a tudo isso, uma boa música como fundo. Acredito ser bastante essencial nesse e em todos momentos de nossas vidas. Quem sabe um dia você e seu filho ou filha cantarão olhando para as estrelas?

Sol e eu dividimos o mesmo quarto e, sinceramente, não sei como seria diferente. Principalmente no início quando nós dois parecíamos um só. Depois, com cinco, seis meses ele já curtia o mundo como um espetáculo e a vida não se resumia somente a nós dois. Seria bem gostoso se cada um tivesse seu quarto, porém a noite seria impossível se manter separado, pois ele acordava muito: umas três, quatro ou cinco vezes freqüentemente. Quando arrumei o nosso quarto então tinha em mente uma linha do equador que dividia os nossos dois mundos porque achava e ainda acho isso importante. Atenta a impossibilidade de dois quartos, busquei as melhores alternativas tanto na arrumação do quarto, quanto no nosso dia-dia para evitar alguns conflitos de relação que possam ocorrer num futuro próximo. Encontrar essa linha foi o primeiro passo e não se tratava de algo cartesiano: este é o meu espaço e este o seu. Mas de uma relação de respeito e também de entrosamento e sintonia. E acredito ter alcançado isso, inclusive visualmente.

Enquanto construía o nosso ninho, tinha também em mente em quais imagens gostaria de oferecer para o meu filho nos seus primeiros anos de vida. Como fotógrafa, entendo que as imagens são muito importantes na formação do Ser. Quando fechamos nossos olhos, o que nos vem são imagens, são lembranças, uma memória que constantemente, enquanto houver vida, se forma. E nós atribuímos significados à essas imagens. Hoje é bem capaz de você ter medo de algo, ou uma cor lhe causar uma sensação visto que em um momento de sua vida você os associou a sensações que sentiu. Por exemplo, imagine que uma criança entre seus um a dois anos estava brincando calmamente na sala, enquanto que seu irmão mais velho assistia um filme sobre embarcações e mares. Imagine, então que no exato momento em que no filme passava uma imagem de um golfinho, passou um helicóptero com um barulho ensurdecedor que assustou a menina. É bem provável que quando mais velha, ela refaça essas idéias e talvez possa demonstrar medo de golfinhos.

Não é preciso ir muito longe, quando, por exemplo, namoramos alguém e nos magoamos profundamente com a pessoa que tanto amamos. Se não tivermos consciência de o quanto isto nos feriu, provavelmente, olharemos de forma negativa o amor.

O problema é que ainda não sabemos como os bebês enxergam. Alguns dizem que vimos quando recém-chegados o mundo em suas cores opostas. Por exemplo, ao invés de preto vemos branco e ao invés de azul, vermelho. Outros nos dizem com plena certeza que o bebê só consegue enxergar a 20 cm de onde está. Então, acho que a melhor solução é variar. Escolher uma diversidade de cores independente do sexo do bebê. Foi assim que eu fiz, mas dei preferência por cores claras. Temos que pensar também que durante alguns meses você e seu filhote passarão bom tempo nesse quarto, por isso, aconselho que transforme esse ambiente em algo muito confortável.

Acho importante que você pense em alguns tópicos:

- O trocador: depois que eu pensei em algum lugar apropriado para as trocas de roupas e fraldas, tudo ficou mais legal, inclusive esse momento de trocas. Vou lhe explicar porque: o ideal é que se troque as fraldas de três em três horas. Como nós fazemos com os absorventes. Fazendo as contas são oito vezes no mínimo por dia, correto? Trocar a fralda num lugar baixo, como a sua cama, é muito ruim porque a sua coluna não agüenta! Fora que é bem comum um xixi ou um cocô imprevisível. Quando a criança já senta, ela acha um absurdo ficar deitada, pelo menos foi assim com o Sol, então eu pendurei uns paninhos, coisinhas brilhantes perto do trocador, que é a própria cômoda dele, e também fiz do baú ao lado uma estante onde colocava tudo que precisaria para as trocas: fraldas descartáveis, creme contra assaduras, cotonetes, hidratante, garrafa térmica, algodão e uma toalhinha para esses casos eventuais. O lugar onde o bebê deita é melhor que seja acolchoadinho e de plástico. Aconselho um emborrachado ondulado que se vende como tapetes a metro.

- O berço: foi uma furada! Não pelo o berço, ele é ótimo. Porém, foi muito pouco usado. Motivo 1: como a grade tem que ser bastante alta, principalmente depois que a criança começa a se agarrar para se levantar, toda a vez que colocava meu bebê, por mais delicada que fosse, ele acordava. Partindo para o segundo motivo: o berço parecia pequeno para um bebê muito ativo e que gosta de ver o mundo. Terceiro e grande motivo: comecei a dar de mamá deitada, para assim descansar à noite. Por isso, rapidamente, passei para opção de cama de solteiro com uma grade adaptada a ela. Outra possibilidade é o colchão no chão que de preferência está coberto por EVA, um emborrachado.

- Espelho: Coloquei um espelho ao lado da minha cama por intuição. E foi uma coisa ótima. Muito cedo Sol passou a se reconhecer e brincar comigo em frente ao espelho. Lembro-me com clareza no dia em que ele percebeu que aquela moça que ele brincava tanto em frente ao espelho era a mãe dele. Ele olhava para ela e olhava para mim e ria. Acredito que o espelho é um preventivo na depressão pós-parto. O espelho representa, para mim, a possibilidade de enxergar o mundo de infinitas formas. Vale a pena experimentar!

- Mosquitos e insetos: Olha, ser mãe também significa virar a principal inimiga dos insetos. A gente fica com um par de olhos muito afiados. Afinal, quem quer ver sua cria ser mordida por qualquer abominável inseto? A minha solução foi um mosquiteiro no berço e outro na minha cama. Não foi fácil achar para vender o para cama de solteiros, quem sabe você terá mais sorte do que eu. Outras soluções são as telas nas janelas, velas de citronela pela casa (cuidado com o perfume muito forte), higiene e limpeza.

- Temperatura: E falando em casa, é bom pensar na temperatura. Quantos detalhes, né? Porém, acredito que esse seja um detalhe muito importante pois pode evitar alguns transtornos e até mesmo doenças. É bom que a casa tenha uma boa circulação de ar e tenha uma temperatura média, nem muito quente e nem muito fria. É claro que esse é o ideal, mas já sabemos que cada caso é um caso, não é? E também não podemos criar um mundo perfeito, pois não poderemos sustentá-lo a vida inteira para nossos filhos. Por isso, é importante desde já que ele se esforce para se adaptar de acordo com as necessidades. Sol é bem gordinho e sua bastante. Busco refrescar ao máximo nossa casa, ligando os ventiladores próximo as janelas para ventilar o vento mais fresco. Pensei no ar condicionado, mas dispensei rapidamente. Além de ser ecologicamente incorreto, iria nos causar algum mal na nossa saúde. Afinal de contas não poderia comprar um ar central e a mudança drástica de temperatura iria ser constante. Pelo menos uns resfriados seriam os primeiros da lista.


Como você imagina o parto do seu filho ou da sua filha?
Ainda não pensou? Pois, não deixe para pensar muito tarde. Eu tive a sorte de ver a minha irmã dois anos antes ter as suas filhas. Elas nasceram no mesmo dia, só que uma um ano mais tarde. A primeira nasceu de cesárea, pois de acordo com o obstetra, minha irmã já tinha perdido toda a sua água interna e a segunda nasceu em casa.



*Continua...

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